NOTÍCIAS
28 DE OCTOBER DE 2025
Comissão de soluções fundiárias fará visita preparatória para mediação de conflitos de terra no sul da Bahia
A Comissão Nacional de Soluções Fundiárias do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em articulação com magistrados federais e estaduais que atuam em casos de conflitos possessórios, prepara uma visita técnica preliminar, no início de novembro, à região sul da Bahia para conhecer a realidade enfrentada pelos povos originários das etnias Pataxó e Tupinambá.
A área é marcada por conflitos territoriais há décadas, muitas vezes culminando em atos violentos, que vêm se escalando nas últimas semanas.
Coordenador da Comissão Nacional de Soluções Fundiárias, o conselheiro José Rotondano decidiu pela constituição de grupo de trabalho (GT) para condução de uma mesa de diálogo voltado à pacificação de conflito, envolvendo diversos órgãos estatais, além de agricultores e as comunidades indígenas afetadas.
A decisão foi uma resposta à situação relatada pelo juiz federal titular da Subseção Judiciária de Eunápolis (BA), Pablo Baldivies, à Comissão Nacional de Soluções Fundiárias, além de solicitação feita por representantes da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB).
Na manhã desta segunda-feira (27/10), representantes indígenas da região estiveram reunidos com o coordenador da Comissão, para relatar os desafios enfrentados pelas comunidades. O encontro teve como objetivo subsidiar os trabalhos da Comissão e preparar o terreno para a escuta ativa que será realizada na visita às aldeias localizadas nas proximidades do Parque Nacional do Monte Pascoal e no município de Itamaraju.
“Essa reunião nos permite compreender melhor o cenário que encontraremos in loco. A expectativa é que possamos contribuir para a redução dos conflitos e promover um ambiente de diálogo entre os diversos atores envolvidos”, afirmou o conselheiro Rotondano. Segundo ele, o CNJ pretende convocar representantes do governo federal, do governo estadual e de outras instituições para compor uma mesa de negociação e buscar soluções consensuais para o conflito.
A liderança dos trabalhos será realizada pelo desembargador Fernando Prazeres, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), também integrante da comissão nacional. O grupo deverá realizar o mapeamento das demandas judiciais relacionadas aos conflitos fundiários na região, além de propor estratégias de articulação entre o Judiciário e os entes do Executivo, em âmbito local e nacional.
A Bahia é o terceiro estado brasileiro com maior população indígena, que totaliza cerca de 230 mil pessoas, atrás apenas do Amazonas, que concentra aproximadamente meio milhão de indígenas.
Relatos de violência e insegurança jurídica
Durante a reunião, o cacique Mãdy Pataxó, uma das lideranças ameaçadas de morte na região, denunciou a morosidade nos processos de demarcação e a crescente vulnerabilidade das comunidades.
“Viemos pedir apoio ao CNJ para que dialogue com os magistrados locais, que têm expedido decisões com reintegrações de posse e interditos proibitórios sem conhecer a complexidade da questão”, afirmou.
Mãdy expressou esperança de que a visita técnica prevista para o dia 5 de novembro, nas imediações do Monte Pascoal, sensibilize os representantes do Judiciário.
O conselheiro Rotondano reiterou que o CNJ respeita a independência funcional dos magistrados e não interfere em decisões judiciais. No entanto, destacou a importância de promover espaços de escuta e mediação. “É preciso que todos os envolvidos se sentem à mesa. Estamos diante de um problema histórico que gera insegurança jurídica e afeta profundamente as comunidades e o Estado brasileiro”, afirmou.
Fonte: CNJ
The post Comissão de soluções fundiárias fará visita preparatória para mediação de conflitos de terra no sul da Bahia first appeared on Anoreg RS.
Outras Notícias
Anoreg RS
30 DE MARCH DE 2026
Rede social, selfies e milhas aéreas na partilha? Novo Código Civil delimita herança digital
Depois que uma pessoa morre, o que acontece com seu patrimônio digital? Quem fica com os perfis nas redes sociais,...
Anoreg RS
30 DE MARCH DE 2026
Artigo – Memória, verdade e dignidade: A retificação de óbitos da ditadura no Registro Civil brasileiro – Por Moema Locatelli Belluzzo
A consolidação do Estado Democrático de Direito no Brasil não se limitou à reorganização das instituições...
Anoreg RS
30 DE MARCH DE 2026
Sem prova de união estável, mulher terá de desocupar imóvel rural, decide TJ-SC
A inexistência de prova robusta da união estável afasta o direito real de habitação previsto no Código...
Anoreg RS
30 DE MARCH DE 2026
Lideranças debatem o futuro do Registro de Imóveis brasileiro
5ª Reunião de Alinhamento Institucional reuniu representantes das entidades nacionais e estaduais de todo o...
Anoreg RS
30 DE MARCH DE 2026
Digitalização dos cartórios redefine rotinas e traz novos desafios para a gestão de equipes
Avanço dos atos eletrônicos e da digitalização dos registros exige reorganização de processos, capacitação...