NOTÍCIAS
24 DE JUNE DE 2026
CNJ: Mortos não identificados terão dados coletados antes do enterro
Nova resolução condiciona sepultamento e registro de óbito à comprovação de coleta de dados que possam permitir futura identificação do corpo.
O CNJ aprovou nesta terça-feira, 23, por unanimidade, resolução que estabelece diretrizes nacionais para o registro de óbito e a autorização judicial para o sepultamento de corpos não identificados ou de pessoas identificadas, mas não reclamadas por familiares.
A medida determina que o sepultamento e a lavratura do registro de óbito somente poderão ocorrer mediante apresentação de ofício técnico da Polícia Científica atestando a realização de coleta mínima padronizada de material biométrico e biológico apto a possibilitar eventual identificação futura.
A norma foi aprovada no julgamento do pedido de providências 0004118-38.2026.2.00.0000, relatado pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques. A proposta foi apresentada pela Polícia Federal a partir de discussões realizadas no Grupo de Trabalho de Integração de Informações Periciais, vinculado ao Comitê Gestor da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Ao apresentar seu voto durante a 10ª Sessão Ordinária de 2026, Campbell destacou a relevância social do desaparecimento de pessoas e os impactos da falta de identificação adequada dos corpos.
“O desaparecimento de pessoas representa fenômeno de expressiva relevância social no Brasil, um impacto direto sobre a segurança pública, a efetividade da justiça e os direitos fundamentais das famílias. Em muitos casos, a identificação técnico-científica do corpo é o único caminho para encerrar formalmente o desaparecimento e restituir a identidade da família.”
Segundo o corregedor, o diagnóstico que embasou a proposta revelou um problema estrutural: corpos não identificados permanecem temporariamente em unidades médico-legais e acabam sendo inumados antes da coleta adequada de informações essenciais para futura identificação.
Além disso, observou que, após o sepultamento, esses corpos são frequentemente destinados a ossuários coletivos ou incinerados, o que pode resultar na perda definitiva de dados capazes de vinculá-los a familiares que ainda os procuram.
“O momento que antecede a inumação é, portanto, a última oportunidade para a coleta de material biométrico e biológico de qualidade e é precisamente nesse ponto que a atuação do Poder Judiciário se torna estratégica.”
Dois eixos
A resolução está estruturada em dois pilares. O primeiro estabelece a exigência do ofício técnico da Polícia Científica como condição para o processamento dos pedidos de inumação e para o registro de óbito perante as serventias extrajudiciais.
O segundo prevê a integração de informações entre o Cadastro Nacional de Corpos Não Identificados, Identificados Não Reclamados e Pessoas Vivas de Identidade Desconhecida (Cad-PCIConecta) e o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), ampliando as possibilidades de identificação por meio do cruzamento de dados.
De acordo com o CNJ, a coleta mínima padronizada garantirá a obtenção de material biométrico e biológico de qualidade, preservando elementos fundamentais para futuras investigações e para a localização de familiares.
A norma também orienta corregedorias e serventias extrajudiciais a fortalecerem a articulação com polícias científicas e demais órgãos envolvidos na Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, além de incentivar a adoção de fluxos eletrônicos que assegurem rastreabilidade e preservação das informações coletadas.
Sem divergências, o plenário aprovou a resolução por unanimidade.
A resolução entra em vigor na data de sua publicação. A partir disso, os tribunais terão prazo de 90 dias para adequações operacionais e normativas locais.
Processo: 0004118-38.2026.2.00.0000
Fonte: Migalhas
The post CNJ: Mortos não identificados terão dados coletados antes do enterro first appeared on Anoreg RS.
Outras Notícias
Anoreg RS
05 DE AUGUST DE 2026
Bem de família de alto padrão continua protegido contra penhora, decide STJ
A regra da impenhorabilidade do bem de família não pode ser relativizada com base no alto valor de mercado do...
Anoreg RS
05 DE AUGUST DE 2026
Sobrepartilha não corrige arrependimento e exige prova de bens ocultados, decide STJ
A controvérsia cinge-se a decidir: (i) se a sobrepartilha pressupõe o desconhecimento ou a ocultação do bem por...
Anoreg RS
05 DE AUGUST DE 2026
Anoreg/RS e RIB-RS participam de nova reunião sobre o Programa Integrado de Requalificação do Vale do Taquari
Encontro reuniu Secretaria da Reconstrução Gaúcha e registradores de imóveis para discutir soluções para a...
Anoreg RS
04 DE AUGUST DE 2026
CNJ homologa o resultado definitivo do 3º ENAC
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) homologou, nesta segunda-feira (03), o resultado definitivo do 3º Exame...
Anoreg RS
04 DE AUGUST DE 2026
Anoreg/RS e AGADIE reforçam diálogo sobre averbação de indisponibilidades e comunicação judicial
Reunião abordou demandas relacionadas aos atos extrajudiciais e destacou a importância da cooperação entre...