NOTÍCIAS
01 DE JULY DE 2026
Suprema Corte dos EUA mantém direito à cidadania por nascimento
Por 6 votos a 3, Corte manteve a proteção da 14ª Emenda da Constituição e impôs derrota à política migratória de Donald Trump.
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta terça-feira, 30, reafirmar o direito à cidadania por nascimento previsto na 14ª Emenda da Constituição americana. Por 6 votos a 3, os ministros concluíram que crianças nascidas em território americano continuam tendo direito à cidadania, ainda que sejam filhas de imigrantes em situação irregular ou de estrangeiros em estadia temporária.
A decisão representa uma derrota para Trump, que, no primeiro dia de seu segundo mandato, assinou uma ordem executiva para restringir a chamada birthright citizenship (cidadania por nascimento). A medida nunca chegou a entrar em vigor, pois foi suspensa por decisões de tribunais federais inferiores.
Ao proferir o voto majoritário, o presidente da Suprema Corte, John Roberts, afirmou que o entendimento adotado há mais de um século permanece válido. Segundo ele, a interpretação defendida pelo governo representa uma leitura “drasticamente revisionista” da 14ª Emenda.
Roberts destacou que a Constituição garante cidadania às pessoas nascidas nos Estados Unidos e sujeitas à jurisdição do país, reafirmando precedente firmado em 1898 no caso United States v. Wong Kim Ark, considerado o marco da interpretação moderna da cláusula de cidadania.
Na ocasião, a Suprema Corte reconheceu a cidadania de Wong Kim Ark, nascido em San Francisco, filho de imigrantes chineses, consolidando o entendimento de que o local de nascimento, e não a nacionalidade dos pais, é o fator determinante para a aquisição da cidadania americana.
A maioria foi formada por Roberts, pelas ministras Amy Coney Barrett e Ketanji Brown Jackson, pelos ministros Brett Kavanaugh, Sonia Sotomayor e Elena Kagan. Ficaram vencidos Clarence Thomas, Samuel Alito e Neil Gorsuch.
Em voto divergente, Thomas sustentou que a 14ª Emenda foi concebida para assegurar cidadania aos ex-escravizados e seus descendentes, não abrangendo automaticamente filhos de visitantes temporários ou de imigrantes sem autorização de residência. Alito também criticou a decisão, afirmando que ela mantém a concessão de cidadania a praticamente todas as pessoas nascidas no país, inclusive em situações de chamado “turismo de nascimento”.
Ordem executiva
A ordem assinada por Trump determinava que filhos de imigrantes em situação irregular e de estrangeiros presentes temporariamente nos Estados Unidos deixassem de receber automaticamente a cidadania americana.
O governo defendia que a política estimularia a imigração irregular e o chamado “turismo de nascimento”, prática pela qual estrangeiros viajariam ao país com o objetivo de garantir cidadania aos filhos.
A tese, porém, foi rejeitada pela Suprema Corte, que reafirmou o entendimento consolidado de que a garantia decorre diretamente da Constituição e não pode ser restringida por ato do Poder Executivo.
Após a decisão, Trump criticou o julgamento em publicação nas redes sociais e afirmou que tentará levar o tema ao Congresso, embora a maioria da Corte tenha reconhecido que a cidadania por nascimento decorre da própria Constituição americana. As informações foram divulgadas pelo The New York Times.
Segurança jurídica
Ao Migalhas, o advogado licenciado nos Estados Unidos Vinícius Bicalho (Bicalho Legal Consulting P.A.). especialista em Direito Migratório, destacou que a decisão restabelece a segurança jurídica para famílias que vivem legalmente no país e pretendem constituir família nos EUA. Segundo ele, o julgamento preserva uma garantia constitucional histórica, mas não altera as regras para obtenção de vistos, residência permanente (green card) ou naturalização, nem cria novos caminhos para a imigração legal.
“A decisão da Suprema Corte encerra um período de grande insegurança jurídica para milhares de famílias que vivem nos Estados Unidos. Muitos brasileiros que já construíram suas carreiras e suas vidas no país acompanhavam esse julgamento com preocupação porque ele envolvia uma garantia constitucional histórica para seus futuros filhos. A Suprema Corte deixa claro que esse direito permanece preservado.”
Fonte: Migalhas
The post Suprema Corte dos EUA mantém direito à cidadania por nascimento first appeared on Anoreg RS.
Outras Notícias
Anoreg RS
25 DE AUGUST DE 2026
Vínculo socioafetivo se consolida como fator de peso em decisões de parentalidade
O vínculo socioafetivo tem se consolidado no Brasil como fator de peso em decisões judiciais envolvendo...
Anoreg RS
25 DE AUGUST DE 2026
Justiça nomeia mãe como curadora de homem com esquizofrenia em atos negociais
A 1ª Vara da comarca de Balneário Piçarras, em Santa Catarina, determinou a interdição de um homem...
Anoreg RS
24 DE AUGUST DE 2026
Como reduzir conflitos familiares depois da morte de um ente querido
Luto pode desencadear disputas entre parentes, expondo ressentimentos antigos; especialistas recomendam abordar a...
Anoreg RS
24 DE AUGUST DE 2026
Cartórios podem registrar penhora de imóvel em tempo real
Os cartórios do país passam a poder receber, em tempo real, as ordens judiciais de penhora, arresto e sequestro de...
Anoreg RS
24 DE AUGUST DE 2026
Registro de filhos de brasileiros dispara nos EUA e cresce 271% em quatro anos
Consulados receberam mais de 21 mil pedidos em 2025; endurecimento migratório americano e busca pela documentação...