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16 DE MAY DE 2026
XV Encontro Notarial e Registral do RS abre debates sobre inovação, segurança jurídica e o futuro da atividade extrajudicial
O XV Encontro Notarial e Registral do Rio Grande do Sul encerrou o primeiro dia de programação, nesta quinta-feira (14/05), consolidando-se como um espaço de debates sobre inovação, gestão, segurança jurídica e os rumos da atividade extrajudicial no país. Realizado em Porto Alegre, o evento reuniu autoridades do Judiciário, representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), lideranças institucionais, registradores, tabeliães e especialistas de diferentes áreas para discutir os principais desafios e perspectivas do setor.
A abertura oficial contou com a presença do presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Rio Grande do Sul (Anoreg/RS), Cláudio Nunes Grecco; do presidente do Conselho Deliberativo do Operador Nacional do Sistema Eletrônico de Imóveis e representante do Fórum de Presidentes das entidades extrajudiciais, João Pedro Lamana Paiva; do presidente em exercício do Tribunal de Justiça do RS, desembargador Cláudio Martinewski; do corregedor-geral da Justiça, desembargador Ricardo Pippi Schmidt; além de representantes do Executivo, Legislativo e do CNJ.
Durante a cerimônia, Grecco destacou o papel social da atividade extrajudicial e a evolução dos serviços registrais e notariais no Brasil. “Hoje, somos reconhecidos como uma das instituições de maior confiança da população brasileira”, afirmou. O dirigente também ressaltou a atuação da classe em projetos sociais, regularização fundiária e durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. “Cada uma dessas frentes reafirma que nossa atividade não apenas oficializa atos, mas transforma vidas”, declarou.
Ao abordar os avanços da atividade extrajudicial, João Pedro Lamana Paiva enfatizou a relevância da modernização tecnológica e da digitalização dos serviços. “É perfeitamente possível afirmar que, naqueles difíceis momentos da pandemia e das enchentes, o sistema notarial e registral evoluiu anos em poucos meses”, afirmou. O registrador também ressaltou o impacto da autorização eletrônica para doação de órgãos. “Depois de 13 anos de luta, conseguimos implementar a AEDO em nível nacional”, destacou.
Representando o Poder Judiciário gaúcho, o corregedor-geral da Justiça, desembargador Ricardo Pippi Schmidt, defendeu o fortalecimento do diálogo institucional entre o Judiciário e os serviços extrajudiciais. “A ideia de que a Justiça só se realiza a partir do Judiciário já não corresponde mais à realidade”, afirmou. Segundo ele, iniciativas construídas de forma colaborativa têm ampliado o acesso da população a soluções mais rápidas e eficientes.
Já o presidente em exercício do TJRS, desembargador Cláudio Martinewski, ressaltou a relevância do encontro para o fortalecimento institucional da atividade. “Em um tempo de desencontros e falta de diálogo, estar presencialmente debatendo os problemas da classe é de grande relevância”, disse.
Representando a Assembleia Legislativa, o deputado estadual Elizandro Sabino destacou o impacto econômico e social da atividade extrajudicial no país. “Quando estimulamos alternativas extrajudiciais para a resolução de conflitos, estamos desafogando o Poder Judiciário e entregando soluções rápidas e seguras à população”, afirmou.
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CNJ, inovação e desjudicialização
Um dos principais painéis do dia debateu a relação entre o Conselho Nacional de Justiça e a atividade extrajudicial. Com participação do conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda; do juiz federal indicado ao Conselho, Ilan Presser; e da advogada Laura Porto, a discussão abordou fiscalização, inovação tecnológica, inteligência artificial e desjudicialização.
Ulisses Rabaneda destacou a confiança que o sistema extrajudicial conquistou perante a sociedade e o Judiciário. “O sistema extrajudicial brasileiro ganhou uma confiabilidade da população”, afirmou. O conselheiro também ressaltou o avanço das políticas de desjudicialização e a ampliação das atribuições delegadas aos cartórios. “Sempre que se fala em desjudicialização, lembra-se dos delegatários”, pontuou.
Laura Porto enfatizou a transformação digital vivida pelos serviços extrajudiciais nos últimos anos. “Hoje o extrajudicial está totalmente digitalizado”, afirmou. Ao mencionar o e-Notariado, destacou: “Foi revolucionário”.
Já Ilan Presser ressaltou a importância do CNJ na construção de uma política nacional extrajudicial baseada em integração e padronização. “O cidadão tem o direito de receber a mesma qualidade e segurança jurídica em qualquer lugar do país”, afirmou. O magistrado também defendeu a ampliação dos mecanismos de resolução consensual de conflitos. “Se existe consenso, por que precisamos necessariamente de um processo judicial?”, questionou.
Prática registral e desafios cotidianos
Outro destaque da programação foi o painel “Registro de Imóveis na Prática: O Que Não Te Contam”, que reuniu os registradores Marcos Salomão, Guilherme Pinho Machado e Daniela Bellaver para discutir desafios concretos da rotina registral imobiliária.
O debate abordou situações práticas, interpretação normativa, qualificação registral e a necessidade de constante atualização profissional. Os painelistas compartilharam experiências sobre eficiência operacional, prevenção de litígios e os impactos da transformação digital no dia a dia das serventias.
Liderança, coragem e gestão de pessoas
Encerrando a programação do primeiro dia, o empresário e ex-jogador Paulo César Tinga ministrou a palestra “Gestão além da planilha: Liderança com Propósito e Coragem”, trazendo reflexões sobre liderança, tomada de decisões e construção de ambientes mais humanos nas organizações.
Ao compartilhar sua trajetória pessoal e profissional, Tinga emocionou o público ao destacar a importância do trabalho, da coragem e da curiosidade. “A única mágica que eu aprendi foi trabalhar”, afirmou. O palestrante também ressaltou a importância das decisões ao longo da vida. “Toda vez que nós tomamos uma decisão, recebemos um presente chamado consequência”, disse.
Ao falar sobre aprendizado e desenvolvimento pessoal, destacou: “Quem pergunta acelera, quem pergunta encurta caminho”. Tinga ainda refletiu sobre confiança nas relações profissionais e institucionais. “A grande crise no Brasil hoje é uma crise de confiança”, concluiu.
A programação do XV Encontro Notarial e Registral do RS segue até sábado (16/05), com painéis voltados à transformação digital, inteligência artificial, inovação, gestão e os impactos das mudanças legislativas e regulatórias sobre a atividade extrajudicial.
Fonte: Assessoria de Comunicação
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